Que o Mar Me Leve (2022) | Emoções que batem como ondas

Assista ao curta de Fernanda Dias, que explora as angústias da ansiedade como uma força da natureza



Com menos de 7 minutos e uma equipe majoritariamente feminina, Que o Mar Me Leve traduz sentimentos cada vez mais presentes em nós, usando uma estrutura simples: os pensamentos de uma jovem como base e o mar como principal cenário.


O curta começa observando as ondas tranquilamente com essa mulher (Samantha Rossetti), mas adentra aos poucos a água enquanto nos leva junto, para dentro do mar e dessas angústias narradas, que se tornam mais intensas a cada momento. Assim, a obra não se sustenta somente pelo texto, mas o completa e se aprofunda nele. É como algo cíclico, em que os sentimentos assombram, fazem a jovem correr, mergulhar, respirar pesado e lutar para continuar nadando. Ainda que consiga por vezes escapar do mar bravo para flutuar em águas calmas, a qualquer momento o monstro pode retornar e tentar afogá-la novamente.



Nos momentos em que está imersa, a água preenche tudo, passando para fora da tela uma falta de ar, abrindo espaço para o som - ou silêncio - dessa imensidão e para a voz carregada que intensifica essa atmosfera claustrofóbica. Entre respiros e tensões, ela é constantemente levada a se entregar, como se o tentar controlar fosse em vão já que a única arma para vencer esse inimigo imaginário está no fundo do mar. Mesmo que seja uma temática densa, há uma beleza poética nas cenas, principalmente nas filmadas dentro da água, e a escolha de usar apenas uma atriz torna o curta algo ainda mais fácil de se identificar, já que a jornada de atravessar seus próprios sentimentos e conhecer seus demônios é algo, quase sempre, solitário.


É, ao mesmo tempo, um cenário muito particular mas que também dá espaço para diferentes olhares se enxergarem. Mesmo que a ansiedade seja algo praticamente coletivo nos dias de hoje, cada um desbrava seu próprio mar de angústias de sua forma.


Assista agora ao curta:

Que o Mar Me Leve



 

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