Pleasure (2022)

Uma experiência crítica à pornografia na perspectiva de um homem que costumava consumi-la.



Não exatamente me orgulho em admitir que reconheci, de nome, dois atores pornô que figuram como si mesmos enquanto via “Pleasure”. E antes que você, caro(a) leitor(a), possa me acusar de depravado, saliento de antemão que não se trata de qualquer compulsão por pornografia minha, que não tenho nem nunca tive: em parte, é porque tenho boa memória (é sério; decorei involuntariamente o CNPJ da vendinha em que eu compro água de coco todo domingo de manhã depois de correr) e, em parte, porque os dois atores em questão figuram recorrentemente num tipo de filme pornográfico que entretém algumas fantasias sexuais minhas – e a discursão sobre os meus gostos concupiscentes, caro(a) leitor(a), param por aqui; não somos tão próximos assim.


O que quero dizer é que “Pleasure” me apresenta a um universo conhecido, mas não por meio da perspectiva da qual eu estou acostumado. E me refiro não apenas aos atores que reconheci, mas principalmente a uma forma de interação e de compreensão desse universo que é fundamentalmente alheia à minha experiência de vida, sobretudo porque sou eu não apenas um homem, como principalmente o principal público-alvo da indústria pornográfica. Em outras palavras, é para alguém como eu que um filme pornô é feito, e, no êxtase da excitação, pode não ser tão imediatamente óbvio que há toda uma estrutura que fundamenta a fabricação do produto que se ocupa em me conduzir ao prazer carnal – estrutura esta, enfim, que não apenas sustenta uma narrativa específica sobre o sexo, como também legitima e perpetua certos comportamentos e valores ligados a tal narrativa. Afinal, só quem vive embaixo de uma pedra não percebe e nem é afetado pela influência da pornografia nos nossos comportamentos sociais.


Embora retrate gravações de cenas sexualmente explícitas, é de se notar que “Pleasure” jamais exibe a nudez de sua protagonista, Bella Cherry, de qualquer maneira provocante: quando imagens de suas partes íntimas aparecem, por exemplo, nunca é em nenhum contexto particularmente sedutor, e sim íntimo, e em nenhum momento em que o filme representa a gravação de uma cena pornográfica, a câmera de Ninja Thyberg procura suscitar qualquer tipo de tentação sexual no seu espectador. Percebo, aqui, ecos do cinema de Chantal Akerman, em especial a forma como a célebre cineasta belga conduziu o olhar da sua câmera sobre a sua protagonista em “Jeanne Dielman”: a nudez feminina, ali, não é tratada com sexualização, e sim com intimidade; uma peça integrante no cotidiano da personagem titular quanto qualquer outra de suas atividades rotineiras. Logo, o olhar que a contempla não é oriundo do desejo sexual – e em particular, pelo desejo de dominação da figura feminina e de sua submissão ao prazer masculino –, e sim de uma identificação afetiva, fraterna, com ela.


O olhar pelo qual adentramos o universo de “Pleasure”, portanto, não é um que se interessa pela protagonista enquanto objeto de desejo sexual. Aliás, este olhar, representado no filme pelas câmeras manipuladas pelos cinegrafistas durante as gravações das cenas pornográficas, pairam imperativa e ominosamente ao redor da atriz protagonista, vasculhando-a insensível e, na medida em que a percebem antes de tudo como um objeto de deleite sexual destinado ao prazer de um espectador masculino, predatoriamente – um olhar escopofílico, para resumir em uma palavra. Em diversos instantes dessas cenas de gravação, o filme estampa tomadas em close de tais câmeras escopofílicas, o que ratifica a presença imperativa e, para além disso, apáticas destas à atriz, sempre interessadas nela apenas em como ela desempenha o seu papel de objeto sexual à realização do prazer masculino. Ou, como suscintamente diz um dos diretores de uma dessas cenas pornográficas, no início do filme: “enquanto atua e faz o que tem que fazer, olhe para a câmera e imagine que está diante do espectador em casa”.



A mise en scène de Ninja Thyberg, no entanto, fundamenta-se na mesma supracitada ótica de Chantal Akerman: ao invés de suscitar a excitação, o filme estabelece com a sua protagonista uma relação de afinidade. Ou seja, o olhar de um certo alguém que se identifica com uma atriz pornô não enquanto objeto de interesse sexual, mas como uma igual. Um alguém que, em outras palavras, dada à própria bagagem de vida como mulher numa sociedade em que a misoginia é endêmica, quiçá estrutural, tem a sensibilidade de manipular a realização cinematográfica de modo a se colocar – e colocar o espectador, consequentemente – no mesmo lugar da atriz pornô, centrando-se numa perspectiva que compreende os seus sentimentos em relação ao que ela se sujeita no ambiente da indústria pornográfica. E, especificamente para o espectador homem, é uma experiência de empatia, do tipo que os filmes pornôs, mesmo os mais “suaves”, jamais ofereceriam: ao despir a produção pornográfica do seu aspecto estimulante, tudo o que resta são os arredores de tal produção, porém sem o estímulo que nos faria associar (nós, homens, isto é) a excitação àquilo que a desperta.


E o que se torna dolorosamente evidente nesse ambiente, nesses arredores percebidos agora com mais clareza especialmente pelos espectadores homens, já que o nosso apetite sexual não está mais sendo estimulado? Bem, as situações absolutamente degradantes de humilhação, por vezes até de abuso puro e simples, que as atrizes são compelidas a se submeterem, às vezes representativamente – nesse ponto, diga-se, o filme salienta que o valor de uma atriz pornô, na indústria pornográfica, é principalmente determinado pelo “quão longe” ela está disposta a ir no que tange à perversão sexual de suas cenas (e, aqui, é também preciso se ressaltar a imoralidade da forma como a indústria define o que é “perversão”: sexo interracial, por exemplo, é tido como “mais intenso” do que sexo hardcore, estes que basicamente são fantasias de estupro. Homens negros reduzidos à condição de escravos sexuais, um “exotismo proibido” para personagens pornográficas brancas e curiosas. Racista? Definitivamente. Execrável pela indústria? Bem... Por quê, se há um mercado?) –, às vezes literalmente, como quando a protagonista é coagida a finalizar uma cena hardcore em que ela se sente extremamente desconfortável de fazer, sob a evidente ameaça de violência – tal desmoralização criminosa que a protagonista, eventualmente, vem a entender como um “dia ruim no trabalho”. Na minha experiência, essa foi a cena mais difícil de assistir, e, conforme eu genuinamente acredito que seja a verdade para todos os meus leitores homens, pensar que alguém de fato se deliciaria com uma cena que beira o estupro – só não o é efetivamente porque a atriz “consentiu” com o ato e, na cena, ela age como se estivesse gostando, apesar de toda a descabida violência – é nauseante. Virar os olhos, no entanto, bem poderia ter a sua implicação moral e até política.


Ou seja: como disse acima, é impossível não dissociar a minha perspectiva masculina da experiência de “Pleasure” porque é a alguém como eu, um homem, que um filme pornô é destinado. E, aqui, quero destacar a importância de um filme como este de Ninja Thyberg na sensibilização dos homens, eu incluso, que poderiam não entender muito bem o porquê de se posicionar ferrenhamente contra o atual estado da pornografia num primeiro momento. Não estou dizendo que a única forma de se compreender o problema é, efetivamente, vivencia-lo numa experiência de simulacro como "Pleasure", porém é de se considerar que a rejeição à pornografia normalmente vem acompanhada do destaque aos seus casos mais extremos: a maneira como ela propicia e encoraja o tráfico de mulheres, a violência e o abuso sexuais, a pedofilia, e por aí vai. E esta, eu novamente insisto, não é o caso da maioria dos homens que consomem pornografia: não tenho maiores dúvidas que, como eu, todos os leitores homens deste texto repudiariam veementemente os comportamentos criminosos que acabei de mencionar.


Então, o caso é que, uma vez que os crimes normalmente associados à rejeição moral da pornografia não apetecem o prazer da maioria dos espectadores, pode ser muito fácil, simplesmente, se colocar fora do problema, alegando que “não é esse o tipo de vídeo que eu assisto, mesmo, então, tá tudo bem eu continuar consumindo pornografia”. Mas o que a experiência de “Pleasure” faz questão de demonstrar é que não se trata, apenas, da “intensidade” ou não de uma produção pornográfica, e isso é o que fica cada vez mais evidente ao longo do itinerário narrativo da personagem: em sua ambição de se tornar uma grande estrela pornô, Bella Cherry vai se submetendo a situações progressivamente mais intensas, mais perversas e mais humilhantes (sendo o “ápice da perversidade”, que acaba se mostrando como uma jogada de empreendedora da parte da protagonista para alavancar a sua carreira, é uma cena de penetração anal dupla com dois homens negros; embora não seja o foco principal do filme, este não deixa de delinear que a misoginia não é a única das indignidades que a indústria pornográfica repercute), que, no entanto, seguem todas um mesmo molde narrativo basilar: a mulher submissa ao prazer do homem.



Notemos, caro(a) leitor(a), que dificilmente há um filme pornô em que não só a atriz seja basicamente o foco de interesse ótico absoluto da câmera, como o ator pornô nunca é efetivamente apresentado; se muito, tudo o que vemos é o seu pênis enrijecido. Além disso, as narrativas dos filmes pornôs, independente de suas durações, sempre culminam na ejaculação do homem. Ou seja: o ator pornô nada mais é do que o suplente que propicia o prazer ao espectador e realiza a sua fantasia sexual, e a atriz, na condição de submissão, é o objeto em que tais realizações são efetivadas. Portanto, mesmo que não se trate de uma cena “intensa” – hardcore, para seguirmos o jargão –, e mesmo que se delineie todo o cuidado que há com o consenso e com o bem-estar que, de maneira geral, há com todos os envolvidos numa produção pornográfica (como o próprio “Pleasure” faz questão de salientar, em seu retrato bastante fidedigno da maneira como realmente é o dia a dia de trabalho na indústria pornô norte-americana), o registro do ato sexualmente estimulante orienta o desejo do espectador a estabelecer uma relação muito específica com a atriz pornô: ela, antes mesmo de ser considerada um ser humano, possivelmente dotada de curiosidades e vontades próprias, é tida como uma criatura submissa à satisfação sexual do espectador masculino, de modo exclusivamente unilateral (ao filme pornô, o único prazer que realmente interessa é o do homem; a mulher é quem se delicia em simplesmente conduzi-lo a esse prazer) e invariavelmente objetificante.


E não só a depravação masculina não tem limites, vide as cenas mais violentas a que a protagonista é submetida, como também essa forma de se entender a dinâmica do ato sexual entre homens e mulheres – este que se torna totalmente centrado nas vontades e nos desejos dos homens, de modo que o prazer da mulher ou é secundário, se existente, ou é determinado pelo o que o homem deseja que ela faça; ela, um instrumento, não muito diferente de uma boneca, e ele, um dominador, como um marionetista que manipula os movimentos da mulher à sua vontade –, bem como o que tal dinâmica significa para a relação entre homens e mulheres na sociedade, é socialmente validada, encorajada e, enfim, reproduzida. Reitero, aqui, o que disse alguns parágrafos atrás: só quem vive embaixo de uma pedra não percebe e nem é afetado pela influência da pornografia nos nossos comportamentos sociais.


Pessoalmente, eu nunca fui um rapaz machista em qualquer sentido mais preocupante (do que já fui, o machismo não partiu de um sentimento misógino meu, que nunca tive, e sim da maneira como fui socializado como homem). Graças às bondades fortuitas do acaso, não tive um pai que me estimulou a objetificar as mulheres e a entende-las, antes de tudo, como submissa aos meus interesses sexuais (o que, infelizmente, não é o caso da massiva maioria dos meninos e jovens homens ao meu redor: me lembro, por exemplo, de um antigo colega de escola, lá quando eu devia ter uns doze ou treze anos, que, orgulhoso como uma criança que descobriu um tesouro proibido, que o pai escondia playboys debaixo do banco do carro, sem que a mãe soubesse), e aprendi desde cedo em casa que, numa relação afetiva de qualquer natureza, sexual ou não, o respeito é imperativo. Mesmo assim, comecei a assistir pornografia muito cedo, logo no início da puberdade, mais por uma certa pressão social (como eu bem sabia na época, mas só agora percebo o absurdo, o início da puberdade já era considerado uma iniciação tardia para os rapazes da minha idade; alguns já tinham começado aos oito ou nove anos de idade) do que por um interesse espontâneo meu, embora este tenha existido e é mais do que natural nessa fase da vida. Desde então, e devo admitir que até recentemente, cultivei o hábito de consumir pornografia regularmente.


E, ainda que eu não tenha tido maiores problemas com esse consumo – vivemos em uma sociedade em que há um notável contingente de homens viciados em pornografia, e é precisamente este público mais “entusiasta”, diga-se, que alimenta os cantos mais depravados da indústria pornográfica –, não posso negar que o hábito, junto com uma perseguição obviamente insensata àquilo que, em tese, ratificaria a minha masculinidade (que hoje, já não faço mais, mas que ainda me dá umas pontadas irracionais de insegurança: esses dias, por exemplo, travei na hora de urinar entre dois homens no mictório; irracional, idiota e provavelmente homofóbico, eu sei, mas é o tipo de coisa que faz parte de uma percepção subconsciente da realidade formada numa sociedade largamente estruturada por tais valores), acabou surtindo os seus efeitos em como eu, por um tempo, percebi as relações afetivas entre homens e mulheres – entre eu e as mulheres com quem eu me interessava, isto é –, muito influenciadas por esse entendimento errôneo da relação sexual. Hoje em dia, não me orgulho em admitir que tal entendimento fez parte de como eu interagia, nesse sentido afetivo, com o sexo oposto; aliás, me arrependo profundamente. Mas, em minha defesa, não foi algo que eu escolhi conscientemente fazer, e sim que fui aprendendo ao longo do tempo, por simplesmente supor que era essa a forma normal de se agir nessas situações. E, como todo aprendizado nocivo, é possível desaprendê-lo.



Nesse sentido, cabe a nós, homens, refletirmos sobre como essa nossa forma de entender a masculinidade – que, pelo ângulo da minha argumentação, culmina nessa faceta de um desejo sexual baseado na dominação e na objetificação das mulheres – não é apenas “tóxica”, como se diz por aí – é patológica. E a pornografia nos demonstra isso muito bem: ao assistir a um vídeo pornográfico, nós, homens, somos estimulados a entender a submissão da mulher às nossas vontades sexuais como o que se desejar numa relação sexual – mas por que é que é esse o desejo que estamos sendo encorajados a nutrir? O que será que há por trás dessa fantasia de dominação sexual, por que precisamos sujeitar as mulheres unicamente às nossas vontades? Ressentimento decorrente da privação de afeto, que culmina no olhar punitivo-inquisidor do homem sobre o corpo da mulher (a qual foi recentemente mencionada numa excelente crítica sobre “A tortura do medo”, de Michael Powell, redigida pelo amigo e colega Davi Pieri – que você, caro(a) leitor(a), pode conferir clicando aqui), encerrando-se enfim no desejo de possessão sexual? Que tipo de perspectiva sobre a masculinidade – que, ora, é uma faceta de como nós, homens, entendemos a nós mesmos, uma faceta de como percebemos as nossas próprias personalidades – estamos sendo encorajados a ter?


Bem, uma vez que esse tipo de narrativa pornográfica valoriza o prazer apenas de maneira unilateral, efetivamente tomando a outra metade da relação como pouco mais do que um instrumento na satisfação do prazer, está claro que ela não preconiza a forma mais saudável para se explorar as várias peculiaridades do desejo sexual. Nem para as mulheres, que são subjugadas e tratadas como coisas, e nem para os homens, que são impulsionados a uma posição dominadora completamente apática às possíveis vontades da parceira. Já não consumo mais pornografia – desde que me comprometi num relacionamento sério, o sexo tem sido tanto mais uma experiência conjunta, tão mais compenetrada com o prazer da minha pareceira, que me engajar num ato de satisfação sexual tão unilateral como um vídeo pornô me parece, simplesmente, um exercício fútil –, mas, depois de “Pleasure”, abandonar a pornografia me é não mais apenas uma questão de opção pessoal, e sim uma imposição moral. Como a protagonista que, no final do filme, após chegar no topo de seu meio, escolhe pedir para o motorista parar o carro, para que ela possa sair – ela escolhe, isto é, dar as costas à indústria que se sedimenta e propaga, dentre outras imoralidades, a misoginia –, opor-se moralmente à pornografia é uma escolha de rejeitar aquilo que ela reforça e efetua, sobretudo em escala social.


E não é nem que o filme de Thyberg, necessariamente, se oponha à ideia de pornografia per se – ou, melhor dizendo, à ideia de filmes eróticos, isto é, de filmes que explorem o desejo por meio de representações explícitas do sexo. Isso fica claro no seu retrato evidentemente fidedigno do meio, o qual já aludi anteriormente: por mais que se faça evidente aquilo que há de mais absurdo, é notório também aquilo que há de surpreendentemente positivo, como a cordialidade com que os envolvidos na produção tratam a protagonista (claro, a cena em que ela é basicamente estuprada lança um certo ceticismo a todos os sets de filmagem em que ela vai para trabalhar, porque, a partir daí, não dá mais para saber quando ela será humilhada para atuar em uma cena contra a sua vontade novamente; mas, afora essa cena e uma outra em que a sua amiga é assediada num set – uma das cenas de maior significados dramático e temático de todo o filme, diga-se –, é notório que todos a tratam com extremo respeito e cortesia, afora de estarem sempre focados nos seus afazeres diários), e, principalmente, o fato de que a massiva maioria dos envolvidos nas produções pornográficas não são retratados como "cúmplices", mas sim como trabalhadores comuns especialmente preocupados com a saúde dos seus ambientes de trabalho. Em suma: pessoas comuns, empregados comuns, que tocam a vida como qualquer outro o faria em qualquer outra profissão. Sem contar, é claro, que ser uma atriz pornô é, antes de tudo, a ambição da nossa protagonista, Bella Cherry. O que ela vem a compreender ao longo de seu percurso narrativo é que o signo de sucesso no seu meio, no fim das contas, é a quão submissa ela consegue ser a um vouyeur masculino cada vez mais pervertido, mas isso nada diz, necessariamente, sobre a sua motivação inicial de se interessar pela profissão do sexo.


Dessa maneira, não me parece claro de maneira alguma que Ninja Thyberg é contra a ideia de pornografia por si só (a de um filme sexualmente explícito que lide frontalmente com temas de natureza erótica, isto é), tampouco às escolhas daqueles que escolhem se tornarem profissionais do sexo; o que o seu filme questiona, entretanto, é o estado atual da pornografia, em termos daquilo que ela reproduz na sociedade, e de que modos. Logo, questionar tal estado atual da pornografia inevitavelmente significa questionar os valores em que ela se embasa, bem como toda a estrutura mercadológica que a viabiliza em escala industrial. E, mais especificamente para nós, homens, significa também questionar aquilo que entendemos por masculinidade, em especial, no caso de “Pleasure”, no que concerne à forma como nos relacionamos aos nossos desejos sexuais. Há uma dimensão social muito evidente aí, e não está claro se é este o conceito de masculinidade mais saudável para a vida em sociedade – na verdade, muito pelo contrário.


Nota do crítico:


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