O “BOOM” dos realitys shows na PANDEMIA

Durante o período de isolamento social eles se tornaram o máximo do entretenimento nos lares brasileiros. Escalando à um novo patamar de relevância, os realitys shows reascenderam para ficar.

O que seriam esses realitys shows?

No dicionário Collins a definição é clara: “Reality show é um programa de TV que mostra pessoas comuns ou celebridades vivendo seu dia a dia e enfrentando desafios específicos.” Podem ser de música, gastronômico, confinamento, sobrevivência e entre outros, podendo ser transmitidos tanto em TV aberta como também online. Essa diversidade de temas e formatos, torna-os ainda mais atrativos ao público, à medida que vão se reinventando e adaptando com os contextos nos quais estão inseridos.


Como tudo começou...

O formato de reality show tem 20 anos de história na TV brasileira e existe desde 1970 nos Estados Unidos. Em 1990 a MTV arriscou adotar o formato com a exibição do reality norte-americano “The Real World” - traduzido para “Na Real”- mas apenas em 2000 que as versões brasileiras começaram a ser consolidadas pela mídia da época. De lá para cá vemos altos e baixos desse fenômeno tão apreciado pelos brasileiros.


O início da jornada no Brasil

Em 2000 entrou no ar “No Limite”, o primeiro reality show totalmente produzido no Brasil inspirado no norte-americano “Survivor”. Transmitido pela Globo, o programa contava com uma dúzia de participantes em meio a um lugar inóspito e selvagem cujo único objetivo era o de sobreviver (e no final ganhar um prêmio em dinheiro). Silvio Santos aproveitou o sucesso que o formato fez na emissora concorrente e criou o “Casa dos Artistas” no SBT, onde famosos eram confinados em uma casa para disputar um prêmio no final. Também se tornando uma febre de audiência, o perfil desse formato foi sendo desenhado até chegar nos dias de hoje.


O que os tornam uma “febre”?

Em uma entrevista para o Tab Uol, o professor de psicologia social da PUC-SP, Hélio Deliberador falou sobre o porquê desse interesse do público ser tão intenso: “A curiosidade é uma tendência humana. As pessoas projetam seus conflitos, sentimentos e problemas cotidianos em outras pessoas, o que pode trazer um alívio momentâneo ao espectador.”


Além desse fato, a escolha das personalidades que farão parte daquele programa também influencia no seu sucesso, já que dependendo da escolha, promovem debates que geralmente fazem parte do cotidiano de determinado período e até mesmo, são escolhidos para que haja uma identificação do público com eles. Um exemplo que pôde-se citar é o BBB20, muitas questões envolvendo o machismo, racismo e homofobia atravessaram a “edição histórica” do mais conhecido reality da Rede Globo.


A viralização em 2020

Desde o ano de 2010, a internet vem sendo uma importante ferramenta para o sucesso desse formato nas televisões brasileiras. As redes sociais permitem que o público se mobilize mais com as votações (com a criação de fã-clubes para ajudar participantes do programa a permanecerem na corrida pelo prêmio) e também são um espaço que torna possível propagar com mais rapidez os assuntos e aí, até mesmo as pessoas que não assistem com frequência ficam sabendo do que está acontecendo. Em outras palavras, o programa vira pauta de conversa.


Em 2020, com a chegada da pandemia, o cenário apenas melhorou para os realitys: a quarentena fez com que todos ficassem em casa, o que gerou uma escassez de entretenimento para o público, obrigando-o a dar ibope para programas desse formato que começaram a aparecer. Além disso, ela mostrou para os produtores que o conteúdo é muito mais importante do que a super produção em si, já que ele é que impulsiona os debates e, consequentemente, o aumento do consumo de realitys.


Não só de pontos positivos se dá a pandemia para esse ramo: focando seguir os protocolos de segurança orientados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), muitos desses programas tiveram que adaptar seus formatos e, como resultado, prejudicaram suas respectivas realizações. Ocasionando na diminuição da equipe para evitar aglomeração, mais cuidados com higienização dos membros da produção, de objetos e de alimentos que seriam distribuídos para as pessoas confinadas.